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Carne bovina: Brasil fecha 1º semestre com recorde de exportações em meio a desafios com cota chinesa e exigências da UE

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Avanço comercial na Ásia, Oriente Médio e África garantiu estabilidade frente às incertezas externas

Com base nos dados oficiais divulgados pela Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), confira o panorama completo sobre o mercado de exportação da carne bovina brasileira:

1º Semestre Histórico: Recorde em Faturamento e Volume

As exportações brasileiras de carne bovina alcançaram um desempenho sem precedentes na primeira metade de 2026, consolidando o melhor primeiro semestre da série histórica:

  • Faturamento Global: As vendas externas somaram US$ 9,929 bilhões, o que representa um crescimento expressivo de 33,4% em comparação ao mesmo período de 2025.

  • Volume Embarcado: O Brasil exportou 1,811 milhão de toneladas de carne bovina, registrando uma alta de 7,3%.

Este avanço comercial robusto foi impulsionado por uma forte diversificação de mercados, com destaque para a Ásia, Oriente Médio e África, garantindo estabilidade ao setor diante das oscilações do comércio internacional. Ao todo, 118 países ampliaram suas compras do produto brasileiro, enquanto apenas 55 reduziram.

O Desafio do 2º Semestre: Alerta Vermelho com China e Europa

Apesar do cenário festivo do início do ano, a Abrafrigo alerta que o ritmo das exportações deve perder força na segunda metade de 2026 devido a entraves com dois dos principais blocos econômicos compradores:

O Travamento do Mercado Chinês

A China continua sendo o principal destino da carne bovina brasileira, abocanhando 48,5% do faturamento total (US$ 4,818 bilhões, alta de 50,3%) e 53% das exportações de carne in natura (774,7 mil toneladas). No entanto, o teto da cota anual foi atingido:

  • Como os volumes que ultrapassam a cota sofrem uma sobretaxa severa de 55%, os embarques para a China foram interrompidos neste mês de julho.

  • A projeção da Abrafrigo aponta para uma redução de até US$ 4 bilhões nas vendas para os chineses em 2026 frente ao ano anterior.

  • Atenuação: Essa perda pode ser amortecida caso os embarques recomecem em novembro e dezembro, com desembarque previsto para janeiro de 2027, já utilizando a cota do ano seguinte.

O Impasse Sanitário com a União Europeia

Mesmo com as vendas para o bloco europeu subindo 35,26% (atingindo US$ 482,65 milhões) no semestre, há um risco iminente de segurança e suspensão total das compras a partir de 3 de setembro.

  • A UE exige comprovação rígida de que o rebanho brasileiro não utiliza antimicrobianos como promotores de crescimento.

  • O governo brasileiro e as autoridades sanitárias correm contra o tempo para negociar um modelo válido de certificação, mas ainda não há resultados concretos.

Diversificação de Mercados: Os Parceiros que Sustentam o Setor

Para mitigar os riscos e compensar a retração chinesa, o Brasil se apoia no crescimento de outros mercados estratégicos:

Estados Unidos (2º Maior Comprador)

As importações totais americanas subiram 14,76%, somando US$ 1,465 bilhão. Olhando apenas para a carne in natura, o salto foi de 41% em receita (US$ 1,116 bilhão) e 17,3% em volume (183,6 mil toneladas). As perspectivas continuam excelentes porque o produto brasileiro ficou livre das novas tarifas impostas pelos EUA e o país sofre com baixa produção interna e preços elevados.

Chile (3º Maior Destino da Carne In Natura)

Aumentou suas compras em 33,12%, totalizando US$ 419,6 milhões, com 70,3 mil toneladas embarcadas (alta de 20%).

Outros Destaques Importantes do Semestre:

  • Rússia: 62 mil toneladas (+34,5%) | Faturamento de US$ 283,8 milhões (+48,6%).

  • Hong Kong: US$ 227,15 milhões (+33,8%).

  • Arábia Saudita: US$ 192 milhões (+31,7%).

  • Egito: US$ 179,8 milhões (+32,2%).

  • Contraponto: O México seguiu a contramão dos demais parceiros e retraiu suas compras em 8,13%, caindo para US$ 253,8 milhões.

Diversificação de mercados é a estratégia do agro para manter crescimento

Mesmo diante dos impasses comerciais com a China e a União Europeia, a Abrafrigo aponta que a ampliação das vendas para a América do Norte, Oriente Médio, Ásia, África e América do Sul será a chave para atenuar as perdas previstas para o segundo semestre.

Essa busca por novos compradores ganha relevância estratégica em um momento global de transição, caracterizado por barreiras sanitárias rigorosas, atualizações nas legislações e disputas geopolíticas. Contudo, o resultado histórico conquistado até o mês de junho comprova a alta competitividade da pecuária de corte brasileira, reafirmando o papel de liderança do agronegócio nacional no suprimento global de proteínas.

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